sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Mulheres e Revolução

É fato notório que a luta por uma sociedade socialista não é nada se não o desejo de mudar de classes oprimidas, seja no meio econômico, social, politico ou cultural, logo não se trata de apenas mudar o sistema econômico vigente, mas todos os pilares sejam legalistas ou culturais que o estruturam, o que por si só já justificaria qualquer importância do movimento, ou movimentos feministas dentro do processo em busca da Revolução.
Importante também atentar ao que é ser mulher, não é uma questão de gênero, ou uma questão sexual, é sim uma questão social, enquanto o conceito de feminismo recair sobre questões físicas as discussões recorrerão aos mesmos erros, é preciso avançar no entendimento sobre estudos de gênero e sexo para um âmbito social, enxergar e respeitar as singularidades sobre o assunto.
Ao longo da história os próprios movimentos revolucionários negaram a participação de interesses femininos junto aos ideias socialistas, Lenin chegou a afirmar que a luta feminista não caberia dentro dos interesses da revolução soviética o cabimento de causas feministas uma vez que se tratava de uma mudança econômica, materialista e não sexual ou sobre gêneros. Cair no economicismo é um dos maiores erros que podem ser cometidos pelas vanguardas revolucionárias, mesmo Marx que tratou de explicar o sistema capitalista de uma maneira bem ligada a economia deixou subjetividades para se entender que o sistema é fomentado através de infinitos aspectos entre eles, aspectos abstratos e a secundariedade da mulher quanto individuo social nada mais é do que resultado de um aspecto abstrato que fomenta sim o sistema capitalista.
Há de se lembrar também que Marx e Engels já entendiam que a subordinação da mulher ao homem e a instauração da propriedade privada deram marco a luta de classes, logo a luta feminista faz parte da luta de classe, faz parte da mudança econômica, mas principalmente faz parte de uma mudança cultural.
Não se trata de uma falsa igualdade, mulheres não são iguais ao homem, isso não lhes tira ou lhes deslegitima em sua capacidade intelectual, suas potencialidades como ser humano. Junto com a subordinação ao homem nasce também o papel da mulher como revolucionária, como agente de mudança em detrimento de sua própria condição.
As mulheres precisam estar a par em todas as mudanças sociais (como nunca deixaram de estar) em todas as linhas de frente, não a cima, nem a baixo, junto, o clichê da frase remete a mais pura necessidade social de se por como par nas mudanças, tendo plena capacidade de influir e desencadear mudanças sociais. Em uma era legalista, avanços legalistas foram feitos, no entanto não basta um artigo na constituição para que uma realidade toda mude, nesse sentido não basta lutar por uma reforma legal, legislativa é preciso ter em mente a revolução, que dê a mulher o espaço de fato e de direito dentro da sociedade, longe de sexismo, machismo, conservadorismos que apenas trazem um retrocesso na sociedade.

Os ganhos que até hoje as mulheres tiveram não são a totalidade do que é necessário, ainda vivemos em uma sociedade machista e onde a mesma marginalização que os movimentos feministas tiveram no passado se repetem mesmo que de maneira branda, é necessário não se contentar e se acomodar diante disso, lutar, revolucionar e encontrar em uma nova sociedade um espaço pertinente ao seu importante lugar na sociedade.